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espiritualidade

25 de Julho - O Dia Fora do Tempo

Por Paula Urbano

Caso haja algum destaque na introdução

Há dias em que avançamos.

E há dias em que a vida nos pede que paremos.

O dia 25 de Julho é conhecido, na tradição contemporânea do calendário das 13 Luas, como o Dia Fora do Tempo: uma pausa simbólica entre o ciclo que termina e o novo ciclo que começa a 26 de Julho.

Não pertence verdadeiramente ao que passou.

Mas também ainda não pertence ao que virá.

É um espaço intermédio.

Um ponto zero.

Uma respiração entre dois tempos.

Vivemos condicionados pelo relógio, pelas obrigações, pelos prazos e pela ideia de que o tempo deve ser preenchido, rentabilizado e controlado. Aprendemos que parar é perder tempo. Que descansar é improdutivo. Que existir só tem valor quando estamos a fazer alguma coisa.

Mas a Natureza não vive assim.

A Natureza conhece o tempo de germinar, o tempo de florescer, o tempo de colher e o tempo de permanecer em silêncio. Nada nela está constantemente a produzir. Tudo respira segundo uma ordem mais profunda.

O Dia Fora do Tempo recorda-nos essa outra medida.

Não a medida do relógio, mas a da consciência.

Não o tempo que passa, mas o tempo que se revela.

Durante o mês de Julho, Sírius volta a ocupar um lugar simbólico de grande importância. Desde a Antiguidade, esta estrela esteve associada à renovação, à orientação e ao nascimento de novos ciclos. A sua luz lembra-nos que existe uma inteligência maior a atravessar a criação — e que também nós fazemos parte dela.

Talvez o verdadeiro alinhamento não aconteça apenas no céu.

Talvez aconteça quando silenciamos o ruído suficiente para voltarmos a escutar aquilo que, dentro de nós, nunca deixou de saber.

O dia 25 não nos pede grandes decisões.

Pede-nos espaço.

Espaço para olhar para o ciclo que termina e reconhecer o que já cumpriu a sua função.

Espaço para perdoar sem apagar a memória.

Espaço para libertar pessoas, crenças, objectos e histórias que continuam a ocupar um lugar que já não lhes pertence.

Perdoar não é esquecer.

É deixar de manter as mãos presas ao passado.

É libertar o outro para podermos, finalmente, libertar-nos a nós.

Neste dia, limpa a tua casa.

Organiza o teu espaço.

Entrega o que já não utilizas.

Escreve aquilo que desejas concluir.

Acende uma vela.

Permanece alguns minutos em silêncio.

Não para pedires mais.

Mas para reconheceres o que já está completo.

O Dia Fora do Tempo pode também ser vivido como um dia de beleza, arte, gratidão e generosidade. Um dia para oferecer sem esperar receber. Para caminhar na Natureza, criar, contemplar, estar com quem amamos e devolver à Terra um pouco daquilo que ela nos dá continuamente.

Porque o tempo não é apenas dinheiro.

O tempo é vida.

O tempo é presença.

O tempo é arte.

E quem recupera a presença recupera também a soberania sobre a sua mente, as suas escolhas e o caminho que deseja habitar.

A 26 de Julho começa simbolicamente um novo ciclo.

Mas nenhum novo ciclo nasce verdadeiramente novo quando atravessamos a passagem carregando a mesma bagagem, os mesmos ressentimentos e as mesmas histórias por concluir.

Por isso, antes de avançar, pára.

Antes de pedir, agradece.

Antes de criar, liberta.

Antes de entrar no novo, honra aquilo que termina.

O Dia Fora do Tempo não é uma fuga da realidade.É o momento em que deixamos de correr tempo suficiente para percebermos que a realidade também pode ser escolhida, criada e habitada com mais consciência.

No dia 25 de Julho, permite-te existir sem pressa.

Talvez seja nesse silêncio, entre o que terminou e o que ainda não começou, que a tua alma te mostre o próximo passo.

Porque o verdadeiro salto não acontece no calendário.

Acontece dentro de nós.

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